O Pombo Correio

Ali no Bairro das Pedreiras, por cima de Cascais o avô tinha um pombal por cima do galinheiro e das coelheiras, tudo isto em 2mx2m. Convivendo com os pombos para a canjinha, coabitavam 3 ou 4 pombos correios anilhados que lhe oferecera um amigo. 
Amigo de Feiras e não pagando transportes, nas folgas, às vezes lá ia ele para a Feira da Sertã, levando consigo um pombo correio, anilhado claro,  que largava quando chegava à Feira a fim de informar a família da hora de chegada para o almoço facilitando, julgava ele, a confecção atempada do almoço. 

A minha mãe, inteligente como era, não confiava no acaso. Preparava tudo e embrulhava o tacho em dois ou três panos, mais uma toalha de mesa por cima...estava sempre tudo pronto.
Feliz lá chegava o avô Alípio pelas 2 da tarde, contando o que vira, trazendo consigo algumas mudas e um queijito. Almoçávamos e o avô dormia então uma bela sesta. Pelas 6 horas da tarde, lá chegava esfalfado,arrepiado e com algumas penas a menos, mas cumpridor, o pombo correio, trazendo na anilha a notícia da hora da chegada para o almoço. A mensagem dizia: “Chego às 2 horas stop. A.” .  O  avô Alípio nunca desistiu e continuou sempre a dar oportunidade ao seu correio aéreo de se redimir do incumprimento horário .


Lurdes Alípio

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