O pudim do Rei

Almoçar no Restaurante do Manel da Barca já nos soa a dia de festa minhota. Na entrada umas mesinhas para tomar umas bejecas e apanhar ar. Entrando, à direita, uma sala mais intimista mas sempre cheia. Depois, um espaço amplo com uns recantos agradáveis. Espaços para todos os gostos e, muito importante, para comer e conversar sem sentir a pressão de um taxímetro ligado, como agora é uso. Os rostos afavéis por trás do balcão dizem-nos que somos bem vindos.

O primeiro dilema foi escolher uma mesa onde a comunicação fosse audível. Falamos alto e ninguém censura, é como um ambiente de cervejaria -e que bem vindo que ele é nestes tempos de fast food (até o nome é feio) – não é sítio para gente niquenta e sim para gente contente com o que tem, seja pouco ou muito, feliz por estar vivo.


Escolhida a mesa, fomos perguntando quais os pratos do dia.


Já só há pastéis com arroz de tomate... (em surdina alguém disse...arroz macho)


Pastéis de bacalhau? Ao aceno...pode ser... vêm os pastéis, dividimos e depois pedimos outra coisa para partilhar...olhe pode ser... pode ser grelhada.


Num ápice aparece o simpático empregado carregando numa mão a travessa dos pastéis na outra a grelhada....(cá para nós...que raio...)! Tagarelámos, rimos, e chegámos à sobremesa.


Por favor, sobremesas... e o que faltara nos pratos feitos sobrava nas sobremesas... ele era bolo de bolacha, ele era doce disto, doce daquilo, mousse, salada de frutas... pode ser uma salada de frutas... É de fruta natural?...sim, sim! E era!


-O que eu queria não tem, eu chego sempre no dia errado ...o que eu queria mesmo, disse ela sorrindo,era uma bela fatia de pudim caseiro bem regado com caramelo.


-Sem grandes falas o simpático empregado voltou passados uns minutos, colocou sobre a mesa ao lado da nossa um grande prato de vidro trabalhado e carregando na mão esquerda uma grande forma de alumíniocomo que num passo de mágica, fez aparecer um suculento pudim de ovos a escorrer em caramelo bem castanhinho.


-Isto é porque a senhora é muito simpática... eserviu-me então a fatia mais desejada de pudim...senti-me uma rainha e raspei o prato, raspei como quem raspa a sorte para lhe sair o Milhão, ou não fosse esta a minha fatia do Milhão, baptizada ao momento como a fatia do Pudim do Rei.


Obrigada Sr. Rei!


Lurdes Alípio

Comentários

  1. É que o nome do empregado era mesmo Rei, daí que lhe tenha prometido escrever uma mini reportagem.

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