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A mostrar mensagens de maio, 2022

Palco da Vida

Desafiada a participar no Projecto Palco da Vida, pensei para com os meus botões... eu até podia começar por vos dizer que nasci no dia 8 de Abril de 1948 filha de Francisco e Olinda, numa casinha de uma passagem de nível da CP ali para os lados do Estoril onde a minha tia Clotilde era Guarda de Linha sendo que nesse dia também foi parteira.  Dizia a minha mãe que chovia tanto que só um chapéu de chuva aberto evitou as pingueiras e que eu, mal chegada a este mundo, me constipasse. Mal fora...eu até podia ficar ressentida com tal desumanidade!!! Também podia acrescentar que fui baptizada na Igreja de São Domingos de Rana e que respondo, com muita honra, por Lurdes Alípio! A mana Luísa nasceu no ano de 1950 e ainda hoje caminhamos lado a lado! O meu pai queria dois rapazolas que partilhassem o seu amor pela terra mas saíram-lhe duas cachopas que também aprenderam a semear, regar, sachar e apanhar o nosso sustento. Não, não foi na aldeia, foi ali mesmo em Alvide por cima de Cascais. B...

Os Pássaros

  Episódio de vida - Photokina Os sábados ao fim da tarde em casa da Senhora Beckowick eram mesmo sábados. Não sei dizer de outra maneira. Era mesmo dia de festa, dia único.   Eu conto-vos a história do casal Beckowick, que tinha fugido de uma ilha do Mar do Norte e que nos alugava casa em Colónia na Alemanha, numa casa plantada num jardim, e que tinha um bunker.  Eu só acompanhei o Jorge, meu marido à Feira de Fotografia, duas vezes, o que significa que no máximo estive 3 ou 4 vezes no bunker.   O casal trabalhava numa Fábrica sem levantar os olhos do chão, jornas a fio e só terminavam na sexta ao fim do dia. Exaustos. No entanto não saíam de casa sem nos deixar a mesa posta com um termo de café muito aromático, um pequeno bule com creme de leite, presunto e fiambre enfeitados com tomate cherry, queijo e ainda pão estaladiço que iam buscar de manhã.    Aos sábados, tudo ficava mais fácil para todos. Escorria cerveja por toda a casa. Os sentimentos era...

O pudim do Rei

Almoçar no  Re staurante do Manel da Barca  já nos soa a dia de festa minhota. Na entrada umas mesinhas para tomar umas bejecas e apanhar ar.  Entrando ,  à direita ,  uma sala mais intimista mas sempre cheia. Depois ,  um espaço amplo com uns recantos agradáveis.  Espaços para  todos os gostos e, muito importante, para comer e conversar sem  sentir a pressão de um  taxímetro ligado ,  como agora é uso.  Os rostos afavéis por trás do balcão dizem-nos que somos bem vindos. O primeiro dilema foi e scolher uma mesa onde a comunicação fosse audível.  Falamos alto e ninguém censura ,  é como um a mbiente de cervejaria -e que bem vindo que ele é nestes tempos de fast food (até o nome é feio) – não é sítio para gente niquenta e sim para  gente  contente com o qu e  tem, seja pouco ou muito , feliz por estar vivo. Escolhida a mesa ,  fomos perguntando quais os pratos do dia. -  Já só há  pastéis ...

O Eduardito

Quatro anitos. Os pais haviam partido para França à procura de melhor vida que a terra pouco dava. Fica r a com os avós  e e stes sempre de prontidão para ajudar os filhos. Para o que fosse preciso , mas lá que o Eduardito pouco trabalho dava também era verdade. Esperto como um raio. Muito observador e já muito de s enrascado para a idade. Os a v ós levantavam-se cedo para regar antes do nascer da aurora, mas nunca antes de matar o bicho já que as pernas já não eram como dantes e precisavam de uma  ajudinha. U m as vezes o resto da ceia e um café da borra outras...sopas de cavalo cansado.   E lá  i am para a fazenda regar.  As novidades essas eram as primeiras a ser regadas não fossem elas enfezar à míngua de água.   Como  eu  dizia  o Eduardito era observador e tendo acordado, não viu os avós... só o cão de guarda à porta. Na barriga um ratito obrigou-o a tomar medidas quanto ao  dejejum.  De tanto olhar para os gesto dos avós, já ...